Em Defesa da Mulher II
Ontem, dia sete de novembro de
dois mil e quinze, fomos para as ruas da nossa cidade (Assis SP) em defesa da
mulher e contra a PL do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), acusado recentemente de envolvimento
em esquema de corrupção.
Estávamos em algumas dezenas de pessoas, é fato, porém isto não retirou o mérito da grandiosidade da proposta
por nós elencada. Fizemos muito barulho.
Chamamos atenção. Digo que o protesto valeu a pena pois, se uma única mulher que já teve de passar por um aborto e em nosso ato se sentiu confortada, e de alguma forma apoiada já é um bom começo. O protesto também valeu a pena se após a nossa manifestação alguma mulher passou a refletir sobre a sua própria situação...
Qual a percepção do resultado
desta nossa manifestação?
Conclui que em sua maioria, as mulheres da nossa cidade ainda vivem na
mais absoluta alienação. Desconhecem os seus direitos, sequer chegam a tomar
conhecimento do tamanho do poder que
é o legado de toda e qualquer mulher desde o princípio de todas as eras.
Desconhecem o fato de que quem dita as leis sobre os nossos corpos ainda são os
homens, muitos dos quais ainda presos em arraigadas crenças seculares,
travestidos de moralistas defensores da família. Família? De qual família
estamos falando? Daquela em que o homem chega trêbado de bêbedo e saí
espancando esposa e filhos? Daquela, cujo homem engravida uma mulher e a
abandona ao Deus dará com a sua semente germinado no útero dela e com toda uma
prole por criar? Daquela, cujo casal vive em eterno conflito, fazendo das suas
vidas um verdadeiro inferno, e arrastando seus filhos neste eterno queimar de
irracionalidade no qual pai e mãe estão presos em um laço de ódio, de
inimizade? Daquela em que pais violentam os filhos? Daquela na qual a filha é
obrigada a viver no incesto e manter-se calada? Sinto muito, mas isto não é
família. É purgatório em vida.
Mulheres da nossa cidade, na qual muitas já praticaram o aborto por
suas razões, sim, existe uma razão para tal ato, e cada mulher tem a sua, e
ainda posam de santas abnegadas porque a sociedade não pode saber disto. Muitas
carregam esse peso, o peso da culpa que lhes foi imposta por uma sociedade
machista, hipócrita, moralista e aparentemente religiosa. E este peso que lhes
consome útero e alma jamais poderá ser aliviado e muito menos confessado por
ser considerado crime. Seres machos da espécie humana não tem o direito de
decidir o que a mulher pode ou não pode fazer com o seu corpo. (Esse direito de
escolha somente pode ser dado a um casal em que ambos decidem). Estou fazendo apologia ao aborto? Não! Estou
dizendo que o quê a mulher faz com o seu corpo não é da conta do estado ou da religião. (Se é crime, baseado em conceitos religiosos, então o
julgamento é da competência das Esferas Superiores dos Mundos entre os Mundos e
não dos homens). É da conta dela, da mulher e do seu livre arbítrio.
Principalmente se ela foi vítima de um estrupo. Tem todo o direito de recorrer
a pílula do dia seguinte. (Pasmem, na era das cavernas as mulheres já tomavam
determinadas poções anticonceptivas após o coito indesejado). E aqui, neste
caso não adianta tapar o Sol com a peneira. Trata-se de uma cruel realidade.
Mulheres morrem todos os dias por abortos mal realizados. Não é um decreto ou
uma lei que irá coibir o fato, muito pelo contrário, isto perdurará de forma
clandestina matando mais e mais.
Alguns assuntos sequer deveriam
ser pautas para discussão, como a igualdade de gênero por exemplo, ou a
homossexualidade, infelizmente estes assuntos precisam emergir cada vez mais
por conta de mentes tacanhas, temerosas daquilo que desconhecem e pelos falsos
moralistas.
Findo com um: Mulheres unidas
jamais serão vencidas posto que a força é do homem, mas o poder é nosso!
Edna Vezzoni
P.S: Sou Feminista. Apenas conclamo as mulheres para uma
reflexão: - Nos defender sempre, fazer valer os nossos direitos a cada inspirar
e expirar sem cair nos mesmos erros do
machismo implantado há séculos na sociedade.

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